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quinta-feira, 21 de março de 2013

CALVINO HOJE

Uma das tarefas mais difíceis de se incumbir é tentar descrever determinados personagens do passado imaginando-os vivendo nos dias atuais.

Ao ver o quanto produziu Calvino, por exemplo, em termos de escritos, (cartas, prefácios de livros, literatura teológica, etc....) com os parcos recursos do seus dias ( a imprensa tinha sido inventada em 1500 dC), eu fico a imaginar o quanto ele não produziria nos dias de hoje com recursos avançadíssimos como computadores (desktop, notebooks, tablets).

A questão não é só escrever. Calvino teria todas as facilidades de pesquisa que não teve em seu tempo. Hoje, muitas dúvidas são sanadas com uma pesquisa no Google, por exemplo. Você vai ai Google, digita uma frase de sua pesquisa e muitas informações são disponibilizadas em fração de segundos, dependendo, é claro, da configuração do teu computador.

Mas eu fico imaginando em como o Reformador Francês encararia a vida devocional nos dias de hoje. Sim, porque não podemos nos esquecer que Calvino não é referência apenas na questão da sapiência e brilhantismo teológico. Ele o é também na vida devocional pessoal. Isso fica evidenciado quando o lemos. 
O que se sabe sobre sua vida devocional é extraordinário. Não tenho a menor sombra de dúvidas que ele exercitaria a devoção com maior afinco e avidez, se pensarmos que os dias de hoje estão mais próximos daqueles nos quais a volta de Cristo se aproxima e que são aqueles dias tão bem retratados por Paulo quando escreveu: "Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria mente...." (I Timóteo 4.1,2, ou "Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens, serão egoístas, avarentos, jactansiosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de sí, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes". II Timóteo 3.1-5
Assim não tenho nenhuma dúvida de que esse notável personagem do Cristianismo exercitaria uma vida de devoção muito mais intensa, e isso deve servir de modelo para nossas vidas, já que é fácil repetir os ditos de Calvino, o mais difícil mesmo é imitar sua forma de vida piedosa.
Na obra "Calvino e a Influência do Seu Pensamento" - Coleção Fundamentos Cristãos, o Dr. Rev. Alderi Souza de Matos registra o seguinte na página 28 da referida obra:
Em 2 de fevereiro de 1564, uma quarta-feira, poucos meses antes de falecer, Calvino pregou pela manhã sobre 1 Reis e à tarde fez sua 65ª preleção sobre Ezequiel. Ele concluiu essa preleção com a seguinte prece: "Concede, Deus todo-poderoso, visto que já entramos pela esperança no limiar de nossa eterna herança e sabemos que existe uma mansão garantida para nós no céu depois que Cristo ali foi recebido, ele que é nosso Cabeça e as primícias de nossa salvação, concede (digo) que possamos prosseguir mais no curso de tua santa vocação até que por fim alcancemos o alvo e assim desfrutemos a glória eterna da qual tu nos permites uma amostra neste mundo, pelo mesmo Cristo, nosso Senhor. Amém".
Calvino foi o homem do seu tempo. Nós somos os homens desse tempo. Ao pensamos em como o notável servo de Deus se comportaria nos dias de hoje, com os desafios diferentes, não na essência, mas em sua forma, serve-nos de desafio, pois temos a mais absoluta certeza de que ele se conduziria pelo promo da Palavra de Deus e do Deus da Palavra a quem serviu até a sua morte.
Que sua vida não seja apenas um desafio, mas uma inspiração hoje, para todos os Pastores e Ministros do Senhor.
Amém.

OVOS DE PÁSCOA?




E por algum acaso coelhos botam ovos? E ainda mais de chocolate? É óbvio que não! O ovo é um ícone antigo que simboliza o nascimento. É mais antigo que o próprio cristianismo. Foi o cristianismo que emprestou da cultura pagã essa idéia do nascimento. “Costumava-se pintar um ovo oco de galinha de cores bem alegres, pois a Páscoa é uma data festiva que comemora a ressurreição de Jesus Cristo, sendo o ovo um símbolo de nascimento. Outros povos como os gregos e os egípcios também coloriam ovos de galinha oco, porém em datas diferentes”. (Wikipédia)


Eu gosto, demais do ovo de Páscoa nem tanto pelo que representa e nem tampouco por aquilo que simboliza, mas porque são feitos de chocolate e eu gosto demais de chocolate. É óbvio que logo após degustar uma quantidade considerável dessa forma na qual o chocolate se apresenta eu sou visitado com glamour pela famosa enxaqueca. Mas terá valido a pena, sinceramente!


Nessa época do ano, no calendário litúrgico eu nem penso em Páscoa, e tampouco me preocupo com a questão dos tais ovos de chocolate. Páscoa é festa, celebração judáica e não cristã. A primeira Páscoa aconteceu quando Israel ainda era cativo no Egito. Foi exatamente quando Deus puniu o Egito com a décima praga que o mesmo Deus terrível em seu juízo se mostrou misericordioso e amoroso em poupar os primogênitos daquelas casas em que se celebrou a primeira Páscoa. Quem celebra a Páscoa hoje ainda sacrifica o cordeiro, ainda espera o Messias, mas para nós os cristãos, Cristo é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, o Messias que veio, viveu e morreu sendo ele o último sacrifício.


Não me preocupo muito quando algums cristãos dizem que vão se reunir para celebrar a Páscoa. Quando os cristãos dizem isso eles não estão afirmando que celebrarão a Páscoa do mesmo modo, e sob a mesma perspectiva com que os Judeus fazem isso. Os cristãos celebram aquilo que a Páscoa representava e da qual era tipo, ou seja, os cristãos celebram a morte do Cordeiro Pascal, que é Jesus, e sua maravilhosa e incomparável benção da ressurreição. Os cristãos celebram o fato de que pela morte e ressurreição de Jesus, que é o Agnus Dei (Cordeiro de Deus), um novo e vivo caminho se abriu diante deles em seu relacionamento com Deus. À semelhança de cada israelita no Egito, todo cristão, vivia morto em seus delitos e pecados, era escravizado pelo mundo, pela carne e pelo diabo, e estava totalmente alienado de qualquer possibilidade de intimidade com Deus, mas agora, pela morte de Jesus, que é a essência da Páscoa, o cristão pode orar, meditar nas Escrituras, adorar, sabendo que Deus o acolhe e o aceita, mesmo sendo ele um pecador.


Assim, prezado leitor, podemos sim comer muitos ovos de "Páscoa", principalmente para aqueles que gostam de chocolate como eu. Assim prezado leitor, podemos comemorar a ressurreição de Jesus, aquele que foi morto na Cruz, sepultado, mas ressuscitou dos mortos sendo as primícias dos que dormem. Com ele, morremos nós e com ele ressuscitamos nós para vivermos em novidade de vida e para aguardarmos, após atravessarmos os portais da eternidade, a nossa ressurreição literal, no mesmo corpo com que viemos a esse mundo, corpo agora ressurreto e glorificado, onde corrupção de nenhuma forma, quer seja moral ou física poderá ter poder sobre nós.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Do que o mundo precisa?


Recentemente ouvia uma música cuja letra dizia: "E o mundo precisa de uma celebração, de uma palavra de amor pra sarar o coração". 
Antes de tecer uma crítica, deixe me adiantar que reconheço o que há de correto por trás desta frase na letra da música. De fato há uma percepção, acertada, de que há algo errado no coração humano que carece de uma cura. A expressão cura das almas é mais que centenária. Ela, contudo, tinha uma conotação bem diferente na que tem hoje. Antes ela apontava para o trabalho pastoral, aquele que era preocupado em "curar", ou seja, cuidar das almas que estavam sob o pastor. A presença e necessidade da figura do pastor não se dá porque a igreja assim o diz ou quer; mas porque precisamos. Carecemos de cuidado, e aprouve a Deus fornecer pastores para o seu povo, fossem em forma de reis, profetas e sacerdotes, ou apóstolos no passado, como pastores no presente tempo. 

Reconheço também que a tristeza não é marca de cristianismo. Pelo contrário, a Escritura diz que "a alegria do Senhor é a nossa força" (Nm 8.10). O salmista canta alegremente a felicidade do convite para ir à casa de Deus (Sl 122.1; Cf. tb.: Gl 5.22). Muito poderia ser dito sobre isso, mas meu objetivo é outro. Meu objetivo é falar sobre a relação do que está errado com o coração humano, sua real necessidade e a proposta moderna do evangelicalismo para "sarar" o problema percebido.


A doença do coração é a idolatria, a rebeldia presente que leva o coração para longe de Deus, em direção daquilo que o desagrada, em direção ao Egito (Ez 14.3-5; At 7.39). Para curar a alma deste mal, a letra da música propõe que a necessidade do mundo seja de uma celebração, de uma festa. Permitam-me, humildemente, discordar.  O que mais o universo evangélico tem proporcionado para o mundo é justamente isso: celebração, festas e mais festas. Os cultos se tornaram shows, sendo chamados e reconhecidos assim ou não. As mensagens por vezes se confundem com a moda dos "Stand Up Comedy", só que sem graça (quem tem ouvidos para ouvir, ouça). Nos cultos não se fala mais de pecados. Embora haja em muitas igrejas um momento para o louvor, não há, contudo, uma para confissão de pecados. O que temos em abundância é "adoração", é celebração... louvorzão...


Do que o mundo realmente  precisa?
Levanto aqui a tese de que o que o mundo precisa é de uma confrontação, e esta é a palavra de amor verdadeira, e esta sim traz benefícios que curam o coração.
As pessoas pós-queda são, agora, "naturalmente" avessas à confrontação. Por isso a confissão de pecados foi deixada de lado. Em alguma medida, a consciência do erro, da inadequação diante de um Deus justo, puro e santo, foi substituída por uma espécie de inadequação social. Não estamos fundamental e espiritualmente errados, estamos só... fazendo errado. Não somos maus, somos... desajeitados. Não somos mais pecadores, somos só pobres, e Deus rapidamente dará um jeito nisso.
Quando lemos os evangelhos nos deparamos com um Jesus muito diferente daquele que vem sendo pregado, e por consequência cantado mundo evangélico à fora. Nos Evangelhos encontramos Jesus repreendendo severamente os pecados do povo e da liderança. Com destemor lhes aponta do dedo, não ameniza o discurso e confronta, em amor com o seu amor revelado em sua pessoa e obra (Mt 3.7; 23.3, 7; Lc 3.7;  13.4; etc...)
O fato terrível do qual não podemos fugir é este: somos pecadores desde o ventre materno (Sl 51.5). Somos por natureza filhos da ira de Deus (), e nossa maldade só não é maior porque Deus, em graça, nos refreia de sermos tão maus como poderíamos. O mundo precisa ser confrontado com sua maldade.
O outro fato, este amorável, do qual igualmente não podemos fugir é: Deus amou este mundo caído e perdido. De que maneira? Desta maneira: Enviando seu filho ao mundo (Jo 3.16). A maldade do mundo foi contrastada com o imenso amor de Deus revelado em Cristo Jesus. Deus revelou redenção ao que crer em Jesus conforme ele o é revelado a nós pelo registro inspirado de sua vida e obra, encontrando nos 4 evangelhos que compõe parte do Novo Testamento. O mundo precisa ser confrontado com o amor de Deus.

O que o acúmulo de festas produz?:

A nuvem de festas que invade o arraial evangélico só tem contribuído para o embotamento das papilas gustativas espirituais do povo de Deus. Deixe-me explicar: O povo de Deus está adquirindo um gosto através do tempo. Está se deliciando nas celebrações, mas não mais no Celebrado. Acreditam agora que Deus, movido talvez por sua imensa bondade e fraqueza de juízo, aceitará qualquer coisa feita por seus bem intencionados filhos, que revelam grande descuido e ignorância de sua vontade revelada (Notem o exemplo do passado: 2 Sm 6.6-8). 

O paladar espiritual do povo de Deus engrossou, tornou-se insensível. Os que agora se dizem povo de Deus não mais tem o seu prazer na lei do Senhor (Sl 1.2), antes, apavoram-se se alguém começar "o discurso" sobre a Escritura Sagrada e sua suficiência. Muito diferentes do profeta Ezequiel no passado, a Palavra de Deus deixou de parecer doce ao paladar para muitos evangélicos de nosso tempo (Ez.2.8-3.3)
Este fenômeno não é um privilégio da igreja moderna, infelizmente. Ele foi experimentado pelo povo de Deus no passado, mas esta atitude, a de amarem mais as festas de Deus do que a Deus mesmo, foi duramente "confrontado" pelos profetas. Exemplos vívidos podem ser encontrados em Isaías (Is 1.10-17; 29.13).
O evangelismo moderno fala muito mais do que Deus pode fazer para o seu bem-estar material do que das grandezas de Deus. Quase nada se houve do que Deus fez em Cristo para que a presença santa de Deus não nos consuma, e agora, tenhamos verdadeiro bem-estar com Deus (Rm 5.1).
O mundo vê os evangélicos festejando, irrompendo em shows e coisas que tais. As ruas são tomadas pela multidão dos festejantes cristãos. Mas qual é o resultado que estamos colhendo? O que nossa nação logrou de benefícios?

Como ser parte da solução?
Acredito firmemente que a única forma de trazer o consolo que o mundo necessita, de ser sal e luz, de fazer a diferença, de ser uma igreja relevante, de ser um instrumento de cura para as almas feridas de nosso tempo, seja a pregação fiel, profunda e piedosa das Escrituras Sagradas. 
Isto significa que não mexeremos na mensagem para que se acomodo ao paladar da platéia assistente, mas que será conforme o querer de Deus (Ez 2.4). O que o mundo precisa é de pastores que, para curar o povo que está sob seus cuidados, pregue como um arauto, e diga "Assim diz o Senhor". 
Para isso, precisamos de homens que se esmerem em conhecer os textos sagrados sobre os quais vão pregar. Que apresentem sermões exegeticamente corretos, doutrinariamente sadios, claro estruturalmente. Que sejam expositores do texto e não de suas ideias. 
Mas que ao fim tenham a coragem de confrontar o povo que está diante de si. Que tenha a ousadia de dizer o que precisa ser dito, sem ser rude, mas também sem ser "soft". Se você quer ser parte da solução, vai precisar:
1) Ser piedoso: Não adiante saber, é preciso saber como convém (1 Co 8.2). Sem amor e doçura nos lábios, a verdade mais bela é obliterada por nossa falta de jeito. Precisamos ministrar com amor do coração e nos lábios;
2) Ser estudioso: Você não pode falar de si, terá que falar da Bíblia. Mas como fazê-lo se não a conhece? E como a conhecer sem dispender horas e muito esforço para compreender o texto. Não gostar de estudar deixa de ser uma opção para quem quer ser parte da solução, mas uma escolha para quem quer ser parte do problema...
3) Ser corajoso: Você descobrirá verdades no texto sagrado que suscitará em seu coração temor. Este temor de homens não é santo. O temor do Senhor é o princípio do saber, qualquer outro é loucura. Para ser um instrumento nas mãos do redentor, você precisará de coragem. Não é de se estranhar que, conhecendo Deus que somos propensos a vacilar, encorajava seus servos dando-lhes a certeza de sua presença (Ez. 2.6; Ex 4.10-17), e para nós que vivemos outros tempos, nos encorajou através de seu filho da mesma forma (Mt 6.50; 28.20; Jo 16.33).
4) Ser submisso: Você terá também que falar tudo o que Deus mandou, e somente o que Deus mandou. A mensagem não é determinada por ninguém mais além do Senhor. Ser submisso significará ser fiel, fidedigno, veraz. O que pretendo dizer com este ponto está perfeitamente resumido no texto de Ezequiel, que diz "Eles, quer ouçam quer deixem de ouvir, porque são casa rebelde, hão de saber que esteve no meio deles um profeta" (Ez. 2.5).

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Creio em... DEUS!

As redes sociais nestas últimas semanas tem ajudado a tornar conhecido o sofrimento de irmãos cristãos que, ao redor do mundo, têm sidos presos, torturados e agredidos por causa de sua fé. Penso que tudo começou no dia em que aqueles cristãos, ainda neófitos, começaram de coração a recitar o credo sabendo o que ele realmente dizia. Não tenha esta afirmação por literal. O que estou dizendo é que o credo, em seu início, pode conter uma verdade que explica porque a intolerância religiosa, que acomete os cristãos perseguidos, continua intensa e continuará até que Cristo Jesus, o Senhor, retorne em glória e poder.

Credo é uma palavra latina, que significa "Eu creio". É assim que começa o Credo Apostólico, com uma asserveração que aponta para o âmago da fé, para aquilo que fundamenta a comovisão pessoal; e aquilo em que a pessoa deposita sua confiança, segurança e fonte de verdades absolutas. Dizer que crê em alguma coisa, alguém ou algo de maneira formal força o ouvinte a prestar atenção ao que será dito. De alguma forma, sabemos que quando alguém diz que acredita em algo, ela pode estar certa ou errada, ainda que o mundo insista no contrário, disso simplesmente sabemos...
No que se crê? Creio, sim... mas em quê?

O Credo apostólico prossegue obedecendo uma simples, porém profunda, estrutura organizacional: Obedece à estrutura trinitária. Sim, a trindade é a base sobre a qual o credo está alicerçado. Começando com a pessoa e obra de Deus o Pai, o credo pode ser interrompido antes mesmo desta revelação inicial básica e tácida no meio cristão: Deus ser nosso Pai. Algumas pessoas ficariam com seu raciocínio preso no que vem antes: Você crê em Deus?

Temos que asseverar, sem temor ou vergonha, que, sim, cremos em Deus! De fato, no que não cremos é em ateus. O ateu é uma aberração filosófica, uma impossibilidade pística, uma contradição ética.

Ser um ateu é dizer-se engajado numa luta que parece ser elegante, intelectualmente superior, evoluída. Mas de fato, se pararmos para pensar, o que é ser um ateu? E ser alguém comprometido em provar que alguém que não existe, não existe de fato! Mas, se não existe, por que provar? Por que não temos pessoas ferrenhamente defensoras que o "Laterna Verde" não existe? Mas quando se trata de Deus, o caso parece ser outro, não? 

Alguns dirão: Bom, ninguém matou, espoliou ou guerreou em nome do "Lanterna Verde", mas em nome de Deus sim! Pois bem, se a questão é séria, deve ser lidada como se séria fosse. E não há nada mais sério do que a condição em que o homem se encontra. Um bom resumo desta discussão pode ser encontrado nas palavras de John Piper, no seu mais recente livro "Pense", da editora Fiel. Ele diz: "Se a nossa desaprovação da existência de Deus é bastante forte, nossas faculdades sensoriais e nossas capacidade racionais não serão capazes de inferir que ele existe" (pág. 91).

O que acontece é que a pessoa não aprova a idéia de um Deus, que existe e está lá, presente. A existência de um Deus que criou todas as coisas implica diretamente em que ele seja a fonte derivadora de todas as coisas, inclusive da moral. Sendo assim, a não conformidade com qualquer parâmetro divino, implica em julgamente e desaprovação da parte dele. Observe que sempre ouvimos falar que em todo povo, e em qualquer tribo, por mais longínqua que seja, e por mais isolada que esteja, sempre há um tipo de culto, um ritual, algo que proponha uma religação com um deus. O que as estatística não dizem, mas que igualmente sabemos, e que se observarmos atentamente, é possível ver também que a sensação dos povos ditos pagãos e idólatras é que estas entidades divinas não estão propícias ao ser humano, antes, precisam ser apaziguadas com oferendas e ofertas mil.
A explicação nós já sabemos: o Sensus Divinitatis, conforme Calvino cunhou, a Sensação de que há uma Divindade é presente em todo coração humano. E de uma maneira tácita, não explicada, mas presente e real, sabemos que esta divindade que existe e está lá, está lá muito brava conosco.

Agora, diante da rebeldia de uma coração que não quer conceber a existêcia de um Deus irado, como pode esta mesma consciência sair em busca de Deus de maneira fidedigna, disposta a encontrá-lo. Em minha casa há uma "Guerra das escovas". Sendo eu o único homem da casa, escova para os cabelos é o que não falta. Entretanto, sendo eu o único homem, sei que a escova cheia de cabelo não é a minha, devido ao fato de ser eu o único possuidor de cabelos cujo cumprimento é curto. A solução do problema foi eu ter a minha escova, que sempre permanece "limpa". Quando as inúmeras escovas, por algums motivos desconhecido, somem, e minha esposa pede para que eu procure alguma escova de cabele, qualquer que seja, eu sei que a minha escova está na mira. E justamente por isso, quando saio para procurar, eu nunca acho uma escova disponível. Curiosamente, quando eu estou interessado em pentear o meu próprio cabelo, não me dou por satisfeito até achar alguma escova de cabelo que atenda aos meus interesses. Veja, com o ateu não é difente. Como ele não quer encontrar, ela sai à busca nos lugares em que instintivamente sabe que não encontrará, e facilmente chega à conclusão de que o não encontrado, não existe! 

As Escrituras estão cheias de alertas e convites voltados para esta questão. Achar a Deus não é cousa difícil num mundo criado por Ele mesmo: Buscai... e achareis... (Mateus 7.7); Buscai ao Senhor enquanto se pode achar... (Isaías 55.6); para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós (Atos 17:27); etc...

Crer em Deus, praticamente falando, significa saber três coisas fundamentais:
1 - Que Deus existe;
2 - Que o Deus que existe se revelou;
3 - Que o Deus que existe e se revelou foi por mim entendido.

De nada adiantaria sair em busca de um Deus não existe. Crer em Deus é saber, a priori, que há um Deus para ser buscado. Depois, que este Deus que existe está lá para ser achado. DE nada adiantaria sair à busca de um Deus que, embora existente, nãos e desse à conhecer. Deus se revelou à nós, e sua máxima revelação se encerra em seu Filho, Jesus Cristo, vindo ao mundo para nos salvor e revelar o pai. Mas este Deus que se revelou, precisava fazê-lo de uma maneira que nos fosse inteligível. E foi exatamente o que fez. Deus foi claro e nós o entendemos desde o dia em que ele nos falou. Adão e Eva entenderam perfeitamente as ordens que lhe foram dadas. Deus ordenou que tudo fosse escrito, e nós lemos e entendemos... O Deus que existe se revelou inteligivelmente. Evito usar o termo compreensível por crer que Deus é maior que a minha compreensão e supera os limites do meu entender, muito embora eu o entenda, não o compreendo.
Bom, esta história começou com uma reflexão sobre nossos irmaos perseguidos. Pois bem... vivemos num pais que caminha para a intolerância religiosa. Estamos à alguns metros da perseguição; e ainda não conseguimos valorizar a liberdade que temos em conhecer a este Deus. Nosso crentes precisam ser ensinados que dizer "eu creio em Deus..." traz implicações práticas. Que não é um simples vir à igreja num pais livre que nos faz cristãos. Crer em Deus pode implicar em assinar uma sentenção de morte, para o mundo, e um contrato de vida, com Deus. Que esta profissão de fé, a que muitos de nossos irmãos estão dispostos a dar suas próprias vidas, seja mais valorizada por nós, pastores, e por nossos irmãos, ovelhas do Senhor Jesus, sob o nosso cuidado.



quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O CAMINHO DA VERDADE E DA SEGURANÇA.

Eu bem sei a que conclusão os reformadores chegaram quando foram definir as características principais e distintivas da verdadeira Igreja Cristã quando comparada àquela outra Igreja que se auto-denomina cristã. Eles afirmaram que (1) A pregação da Palavra de Deus e do Evangelho; (2) A correta observação dos Sacramentos e, (3) A aplicação da Disciplina Eclesiástica, são essas marcas distintivas. Eles na verdade estavam, ao fazer assim, contrapondo-se à Igreja dos seus dias que havia perdido de longe esses princípios e se distanciado totalmente da Bíblia.

Essas são mesmo características próprias da verdadeira Igreja Cristã, mas vejam, vocês que me lêem, em que situação nos encontramos hoje, ou seja, temos um número quase que incontável de Igrejas Locais e denominações que afirmam pregar o evangelho com a Bíblia, só praticam os dois sacramentos, (Batismo e Ceia) e observam uma certa prática de disciplina eclesiástica, mas que sinceramente não podem e nem devem ser consideradas Igrejas Cristãs.

Precisamos, portanto, de uma redifinição quanto a estas características e eu proponho as seguintes, que são quatro.

1) A verdadeira Igreja Cristã crê na Bíblia como único livro de regra, fé e prática. O termo único aqui é de crucial importância. Não admitimos inciclicas e nem tampouco bulas com o mesmo peso inspirado da Bíblia. Não admitimos nenhuma outra fonte de revelação como instruidora ao convertido sobre salvação e santificação. Sola Scriptura, mesmo! E que essa Escritura seja interpretada tendo como ferramenta o método Gramático-Histórico.

2) A verdadeira Igreja Cristã crê em Cristo como único e suficiente salvador. Solo Cristus, nada mais! Qualquer outra proposta, ainda que seja de adição do tipo Cristo e Maria, Cristo e o Sábado, Cristo e Boas Obras, deve ser refutada como lamentável equívoco. Qualquer outro item que anule a graça revelada na pessoa de Cristo Jesus, deve ser rechaçada de forma veemente.

3) A verdadeira Igreja Cristã adora o Deus trino sem nenhum traço de subordinação. Deus pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo são o mesmo Deus em três pessoas e não podemos cometer o pecado de adorarmos mais o Pai, do que o Filho ou o Espírito Santo. A Igreja precisa olhar com equilíbrio para essa questão porque há um só Deus, criador, salvador, mantenedor, provedor e que nos instrumentaliza.E não há uma quarta pessoa na trindade.

4) A verdadeira Igreja Cristã se responsabiliza pelo hoje, mas contempla o amanhã. A verdadeira Igreja de Cristo não é irresponsável com o dia de hoje, com nossa contemporaneidade. Ela se engaja nos problemas de ordem social e política, oferece seus préstimos, sua ética e principalmente se ajoelha em intercessão pelos governos, mas ela sabe que Jesus voltará e busca viver uma vida de vigilância e serviço em prol do Reino de Deus. Ela não se preocupa mais com o material do que o faz com o que é espiritual.

O Supremo Concílio da IPB neste ano de 2010, decidiu que aquelas Igrejas catalogadas como comunidades neo-pentecostais não são verdadeiramente Igrejas Cristãs e sim seitas. E creio que foi uma atitude corajosa. Nisso não há falta de amor e carinho por pessoas, mas um compromisso pela verdade bíblica. Com certeza essas igrejas não consideram com seriedade os quatro itens expostos acima que, em meu entendimento, são marcas distintivas da verdadeira Igreja Cristã. Louvamos a Deus porque a IPB se mantém firme e devemos orar para que continue assim!

A IPBMC deve esboçar essas quatro marcas e zelar em mantê-las como bússula que a conduz pelo caminho da verdade onde há segurança, pois esse é o caminho que Deus determinou para ela

segunda-feira, 5 de julho de 2010

PERDEMOS A COPA DO MUNDO. E DAÍ?

(Considerações - e até certo desabafo - de um brasileiro que ama o futebol, mas ama mais o Brasil)

O Brasil foi eliminado pela Holanda na Copa do Mundo de Futebol lá na África do Sul, belo país pelo que temos visto nas imagens e um povo bastante alegre, às vezes, alegres demais com aquelas vuvuzelas que certamente afetariam meu labirinto. Mas e daí?

Já estamos há 08 anos sem vencer uma copa do mundo. E daí? Isso também não importa porque já ficamos 24 anos sem sermos campeões. Até que em 1994 vencemos às duras penas lá nos USA nos pênaltis a nossa adversária, Itália. Depois fizemos a fatídica final contra a França em 1998, e a vitoriosa final na Ásia contra a Alemanha em 2002. Voltamos a cair em 2006 frente a mesma França que tem sido um carrasco do Brasil em Copas do Mundo e agora foi a vez da Holanda que já havia nos desclassificado em 1974 na Copa da Alemanha. Voltamos mais cedo para casa. Perdemos da Holanda. E daí?

Eu sou muito passional e fico muito agitado em partidas de futebol. Por isso resolvi lavar meu carro na hora do jogo. Simplesmente levei o carro para o quintal atrás da minha casa, me preparei e, durante os 90 minutos da partida fiquei ali lavando meu carro. Soube dos gols pelas manifestações. No final do jogo, com a derrota já sacramentada, me saí um morador de um prédio vizinho, na sacada de seu apartamento e grita a plenos pulmões. “Vamos trabalhar cambada. Vamos voltar pro trabalho”. Ri para valer, e muitos fizeram o mesmo pelo que pude ouvir. É isso mesmo. O Brasil perdeu, foi desclassificado, mas e daí? O mundo não acabou, oras bolas. O Brasil perdeu, mas e daí?

Não tenho me dado ao “luxo” de ouvir os comentaristas de futebol a respeito dessa desclassificação. Parece que o disco quebrou. É sempre o mesma lengalenga. Uns culpam o Dunga, outros alegam que havia jogadores que não tinham qualificações para estar no grupo. Os mais duros, como o Milton Neves, desandaram a falar do Felipe Melo. E assim por diante. Afinal de contas é comum numa hora como essa, procurarmos os culpados. Isso é natural, mas é preciso que haja equilíbrio. Não podemos evitar a avaliação porque ela, sendo feita com sobriedade e serenidade, pode nos ajudar a evitar cometermos os mesmos erros, mas é preciso que haja coerência e ponderação, o que me parece não é próprio de grande parte da mídia do futebol.

Há comentaristas e locutores que são mais torcedores do que qualquer outra coisa. O Galvão Bueno, por exemplo, com todo o respeito e admiração que lhe tenho, torce mais do que narra uma partida. E isso vai moldar, de certa maneira, o pensamento do brasileiro nesse campo esportivo. O Brasil foi desclassificado, mas e daí?

Futebol não tem lógica e cá entre nós se a lógica valesse, a Holanda tinha mesmo que vencer porque olhando do ponto de vista tático, ela é uma seleção mais bem assentada táticamente. Tem melhor equilíbrio em todos os seus setores. E devemos lembrar que em 1982 éramos mesmo muito melhores que a criticada Itália e perdemos por três gols a dois. Aquela lá doeu. Futebol não tem lógica. E o Brasil voltou para casa eliminado, mas e daí?

Futebol é só esporte e esporte é saúde e cultura. Talvez tenha doído mais para alguns do que para outros porque esse esporte que deveria ser entendido como cultura, saúde, evento para o congraçamento dos povos, virou uma grande oportunidade de se fazer muito dinheiro. A FIFA é uma das instituições mais ricas do mundo, mas e daí? No que é que isso consiste? Que benefícios isso tem trazido para aquelas nações onde há enormes bolsões de pobreza? Que benefícios isso tem trazido para aquelas nações onde não há educação de boa qualidade, a saúde está doente, a segurança está refém do crime organizado e a violência tem assumido uma multiformidade gigantesca? Isso lembra a você algum país em particular? Creio que sim e por isso eu repito a questão: O Brasil perdeu a Copa do Mundo, mas e daí?

Devo admitir que o bem humorado grito do meu vizinho tem tudo a ver: “Vamos trabalhar cambada. Vamos voltar pro trabalho”. Isso mesmo, vamos trabalhar! Vamos voltar para o nosso mundo onde temos que optar entre Marina, Dilma e José Serra.

Voltemos para o país que já se tornou um cassino a céu aberto, onde a hipocrisia é latente em todos os níveis, onde a religiosidade nos faz ter que encarar num sábado uma Marcha Para Jesus que é mais uma vitrine para o lustro do ego de alguns apóstolos do que Marcha para Cristo mesmo, e em outro sábado temos que engolir a Parada Gay num ato de afronta sem precedentes.

Voltemos para nosso país onde o aposentado é tratado como escória, coisa obsoleta, com exceção dos políticos aposentados.

Voltemos para o país onde a justiça é morosa e bastante condescendente.

Voltemos para o Brasil onde um jogador de futebol, sem nível de intelectualidade desenvolvido e que pouca contribuição traz à cultura do país, vale mais do que o professor, o médico e outros profissionais que se matam para sobreviver, o que é um paradoxo.

Vamos voltar para a realidade porque a Holanda, por exemplo, que nos desclassificou, nunca foi campeã mundial de futebol, e é um país com problemas geográficos e topográficos enormes se comparados ao Brasil, continua sendo um país rico de um povo extremamente educado. Vamos voltar para o trabalho porque perder para a Holanda não foi uma desonra.

Eu pergunto: perdemos a Copa do Mundo, mas e daí? Eu não vou chorar por isso porque afinal de contas o Felipe Melo e o Dunga que estão sendo crucificados, em meu entendimento errônea e cruelmente, vão voltar para suas vidas e terão que conviver com essa experiência que os marcou muito mais do que marcou a você e a mim. Mas eles estão muito bem do ponto de vista social e econômico se comparado à maioria dos brasileiros.

Por outro lado, muitos dos que se angustiaram e até choraram diante de um aparelho 14’ dentro do seu humilde casebre, tiveram que pegar o seu busum e voltar para o trampo porque afinal de contas é essa gente que movimenta esse país e é essa gente que, mesmo no anonimato, faz a grandeza do Brasil.

Vamos voltar para o trabalho cambada, sou assim para mim:

Vamos cair na real, pessoal. Vamos descer dessa aeronave chamada ilusão e pisar no chão da realidade.



quinta-feira, 1 de julho de 2010

AS DESCULPAS DA PREGUIÇA.

Preguiça é ócio, aversão ao trabalho, indolência.

É uma patologia psíquica e vez por outra ronda você e eu tentando tirar o nosso foco e nossa atenção das responsabilidades que pesam sobre nossos ombros. Sempre que somos assaltados por esse vírus, nossa mente começa a elaborar desculpas para justificá-la. Vejamos algumas das desculpas da preguiça.

ESTOU CANSADO (A). Na verdade o preguiçoso está cansado de tanto descansar. Ele não percebe isso, ou seja, que a inoperância, a inércia, inutiliza e imobiliza de tal maneira, que uma pessoa assim pode ser vítima até da depressão que vem com aqueles sentimentos, por exemplo, de auto-comiseração. Quem se cansa do trabalho, sempre estará disposto a realizar outra obra após seu merecido descanso, porque afinal de contas só merece descanso que trabalha mesmo. Pare de dizer estou cansado. Descanse e trabalhe!

É MUITO DIFÍCIL. Essa expressão é muito usada por preguiçosos. “É muito difícil é desculpa de quem nem quer tentar fazer”. O que é fácil, qualquer pessoa faz, com exceção do preguiçoso porque para esse tudo é difícil. Próverbios 13.4 diz: “O preguiçoso deseja e nada tem, mas a alma dos diligentes se farta”.

DÁ MUITO TRABALHO. A excelência tem o seu preço e certamente não é dando essa desculpa que vamos remover os naturais obstáculos que surgem à nossa frente quanto temos uma missão a cumprir, um objetivo a ser alcançado. Quem quiser andar uma milha deve começar com o primeiro passo. Leia as biografias dos grandes vultos da humanidade e você verá que nunca se furtaram às suas obrigações, pelo contrário, trabalharam com denodo e dedicação, apesar das naturais dificuldades. Provérbios 19.24 diz: “O preguiçoso mete a mão no prato e não quer ter o trabalho de a levar à boca”.

SEMPRE FOI ASSIM. Isso é desculpa de gente preguiçosa que não que mudar o curso da história. Bem se Thomas Alva Édison pensasse desse jeito, nunca teríamos a lâmpada elétrica incandecente. Se Lutero pensasse assim teria ficado no abrigo do Principe Frederico. Se Neemias pensasse assim nunca teria reconstruído os muros de Jerusalém e nem devolvido à degnidade à pátria dos seus antepassados.

AGORA É A VEZ DOS OUTROS. Quer maior desculpa esfarrapada do que essa? Em Provérbios 14.23 lemos: “Em todo trabalho há proveito, meras palavras porém, levam à penúria”. Principalmente na obra de Deus e no reino de Deus, não há aposentados. Por mais que façamos, ainda há muito por ser feito. A Parábola dos Talentos é notável quanto a esse aspecto. Precisamos considerar, também, que uma ferramenta fora de uso, enferruja. E o pior é que pessoas que agem assim acabam por se tornar ranzinzas, críticas, sempre ácidas e muito “exigentes”.

Eclesiastes 10.18 doutrina: “Pela muita preguiça desaba o teto, e pela frouxidão das mãos goteja a casa”.

O trabalho enobrece, fortifica, recria, traz progresso, prosperidade. Se há um sentimento saboroso de ser experimentado, esse é o sentimento do dever cumprido, da missão cumprida. Foram notáveias as palavras de Jesus no Gólgota, depois de uma jornada de flagelo e dor: “Esta consumado”.

Fuja da preguiça e aproveite para descansar quando estiver cansado do trabalho porque afinal de contas, somente quem trabalha faz juz ao descanso.



sexta-feira, 4 de junho de 2010

CEIA DO SENHOR



DOMINGO
Culto com Celebração da Ceia do Senhor.

TODOS OS QUE SE ASSENTAM EM TORNO DA MESA DO SENHOR SÃO IGUAIS.(E.BRAGG)





A Ceia do Senhor é um dos dois Sacramentos da Igreja Cristã Reformada. O outro Sacramento é o Batismo. "Sacramento é um sinal visível de uma graça invisível".
A boa Teologia Reformada entende que a Ceia e o Sacramento da Nova Aliança em substituição à Páscoa, assim como o Batismo é o legítimo substituto da Circuncisão.
Quando comemos o pão e bebemos o vinho, sob a perspectiva preconizada pelo apóstolo Paulo, devemos fazê-lo com o devido exame (anamnese), para que evitemos nos tornar motivo de escárneo e constrangimento para o Corpo de Cristo que é a Igreja.
O Catecismo Maior de Westminster preceitua como resposta à pergunta 171 (Como os que recebem o Sacramento da Ceia do Senhor devem preparar-se para esse ato?): "Os que recebem o sacramento devem preparar-se para esse ato, examinando-se a si mesmo, se estão em Cristo, a respeito dos seus pecados e necessidades da verdade e da medida do seu conhecimento, da fé, do arrependimento, do amor para com Deus e para com os irmãos; da caridade para com todos os homens, perdoando aos que lhes têm feito mal; dos seus desejos de ter Cristo e da sua nova obediência, renovando o exercício dessas graças pela meditação séria e pela oração fervorosa."
Auto-exame, oração, jejum, louvor, são atitudes mais do que bem vindas como preparo para participar desse momento de crucial importância para o cristão, falando individualmente, e para a Igreja se pensarmos em termos de comunidade.
Deixar de participar da Ceia do Senhor é um grave equívoco que passa pela falta de compreensão exata a respeito do que consiste esse momento na vida da Igreja, bem como é demonstração de total descaso com respeito à própria saúde espiritual.
Devemos, (é nosso dever) participar da Ceia e devemos fazê-lo com o necessário auto-exame. "Uma pessoa que duvida que esteja em Cristo ou de que esteja convenientemente preparada para participar da Ceia do Senhor pode ter um verdadeiro interesse em Cristo, embora não tenha ainda a certeza disso; mas aos olhos de Deus, o tem, se está devidamente tocada pelo receio da falta desse interesse e sem fingimento deseja ser achada em Cristo e apartar-se da iniquidade. Nesse caso, desde que as promessas são feitas e este sacramento é ordenado para o alívio até dos cristãos fracos e que estão em dúvida, deve lamentar a sua incredulidade e esforçar-se para ter as suas dúvidas dissipadas; assim fazendo, pode e deve ir à Ceia do Senhor para ficar mais fortalecida". (Catecismo Maior de Westminster, em resposta à pergunta 172).
Certa vez um ministro deixou sobre a mesa todos os elementos da Ceia do Senhor já que havia duas famílias na Igreja que tinha tido um sério problema de relacionamento. Afirmou esse ministro que o pão e o vinho ficariam ali, sem serem distribuidos à Igreja, até aprodrecerem, e que só ministraria a Ceia à Igreja quando o problema aludido fosse resolvido.
Pela sábia providência Divina, surgiu um fato que obrigou a Junta Diaconal a tirar dali aqueles elementos da Ceia. Creio que a atitude do referido e estimado colega de ministério foi radical. Entendo que a Ceia deve ser sempre ministrada com as devidas considerações que o apóstolo dos gentios prescreveu, pois a observância da mesma deve, dentre outras verdades, provoca o auto-exame e a devida contabilidade de nossa vida e atos, buscando saber se estamos, ou não, em condições de participar dela. E quem dela tomar, indignamente, irá receber de Deus a justa repreensão e disciplina.
Mais uma vez nos reunimos em torno da mesa do Senhor. Devemos fazê-lo com nossos corações cheios de ternura e gratidão. Se a Ceia também nos faz recordar da morte vicária de Cristo, ela também evoca em nossa memória a verdade de relevância incomparável da ressurreião de Cristo. Ele morreu em nosso lugar e ressuscitou para que possamos andar com nossos corãções cheios de esperança de que em sua volta, nós ressuscitaremos, também, e com Ele habitaremos na nova terra por Deus totalmente restaurada.
Creio, sinceramente, que é exatamente no momento em que participamos da Ceia do Senhor, com os corações verdadeiramente compungidos e movidos pelo legítomo amor que sentimos a doce verdade nas palavras de Jesus quando disse: "E eis que estou convosco, todos os dias até a consumação do século".