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segunda-feira, 5 de julho de 2010

PERDEMOS A COPA DO MUNDO. E DAÍ?

(Considerações - e até certo desabafo - de um brasileiro que ama o futebol, mas ama mais o Brasil)

O Brasil foi eliminado pela Holanda na Copa do Mundo de Futebol lá na África do Sul, belo país pelo que temos visto nas imagens e um povo bastante alegre, às vezes, alegres demais com aquelas vuvuzelas que certamente afetariam meu labirinto. Mas e daí?

Já estamos há 08 anos sem vencer uma copa do mundo. E daí? Isso também não importa porque já ficamos 24 anos sem sermos campeões. Até que em 1994 vencemos às duras penas lá nos USA nos pênaltis a nossa adversária, Itália. Depois fizemos a fatídica final contra a França em 1998, e a vitoriosa final na Ásia contra a Alemanha em 2002. Voltamos a cair em 2006 frente a mesma França que tem sido um carrasco do Brasil em Copas do Mundo e agora foi a vez da Holanda que já havia nos desclassificado em 1974 na Copa da Alemanha. Voltamos mais cedo para casa. Perdemos da Holanda. E daí?

Eu sou muito passional e fico muito agitado em partidas de futebol. Por isso resolvi lavar meu carro na hora do jogo. Simplesmente levei o carro para o quintal atrás da minha casa, me preparei e, durante os 90 minutos da partida fiquei ali lavando meu carro. Soube dos gols pelas manifestações. No final do jogo, com a derrota já sacramentada, me saí um morador de um prédio vizinho, na sacada de seu apartamento e grita a plenos pulmões. “Vamos trabalhar cambada. Vamos voltar pro trabalho”. Ri para valer, e muitos fizeram o mesmo pelo que pude ouvir. É isso mesmo. O Brasil perdeu, foi desclassificado, mas e daí? O mundo não acabou, oras bolas. O Brasil perdeu, mas e daí?

Não tenho me dado ao “luxo” de ouvir os comentaristas de futebol a respeito dessa desclassificação. Parece que o disco quebrou. É sempre o mesma lengalenga. Uns culpam o Dunga, outros alegam que havia jogadores que não tinham qualificações para estar no grupo. Os mais duros, como o Milton Neves, desandaram a falar do Felipe Melo. E assim por diante. Afinal de contas é comum numa hora como essa, procurarmos os culpados. Isso é natural, mas é preciso que haja equilíbrio. Não podemos evitar a avaliação porque ela, sendo feita com sobriedade e serenidade, pode nos ajudar a evitar cometermos os mesmos erros, mas é preciso que haja coerência e ponderação, o que me parece não é próprio de grande parte da mídia do futebol.

Há comentaristas e locutores que são mais torcedores do que qualquer outra coisa. O Galvão Bueno, por exemplo, com todo o respeito e admiração que lhe tenho, torce mais do que narra uma partida. E isso vai moldar, de certa maneira, o pensamento do brasileiro nesse campo esportivo. O Brasil foi desclassificado, mas e daí?

Futebol não tem lógica e cá entre nós se a lógica valesse, a Holanda tinha mesmo que vencer porque olhando do ponto de vista tático, ela é uma seleção mais bem assentada táticamente. Tem melhor equilíbrio em todos os seus setores. E devemos lembrar que em 1982 éramos mesmo muito melhores que a criticada Itália e perdemos por três gols a dois. Aquela lá doeu. Futebol não tem lógica. E o Brasil voltou para casa eliminado, mas e daí?

Futebol é só esporte e esporte é saúde e cultura. Talvez tenha doído mais para alguns do que para outros porque esse esporte que deveria ser entendido como cultura, saúde, evento para o congraçamento dos povos, virou uma grande oportunidade de se fazer muito dinheiro. A FIFA é uma das instituições mais ricas do mundo, mas e daí? No que é que isso consiste? Que benefícios isso tem trazido para aquelas nações onde há enormes bolsões de pobreza? Que benefícios isso tem trazido para aquelas nações onde não há educação de boa qualidade, a saúde está doente, a segurança está refém do crime organizado e a violência tem assumido uma multiformidade gigantesca? Isso lembra a você algum país em particular? Creio que sim e por isso eu repito a questão: O Brasil perdeu a Copa do Mundo, mas e daí?

Devo admitir que o bem humorado grito do meu vizinho tem tudo a ver: “Vamos trabalhar cambada. Vamos voltar pro trabalho”. Isso mesmo, vamos trabalhar! Vamos voltar para o nosso mundo onde temos que optar entre Marina, Dilma e José Serra.

Voltemos para o país que já se tornou um cassino a céu aberto, onde a hipocrisia é latente em todos os níveis, onde a religiosidade nos faz ter que encarar num sábado uma Marcha Para Jesus que é mais uma vitrine para o lustro do ego de alguns apóstolos do que Marcha para Cristo mesmo, e em outro sábado temos que engolir a Parada Gay num ato de afronta sem precedentes.

Voltemos para nosso país onde o aposentado é tratado como escória, coisa obsoleta, com exceção dos políticos aposentados.

Voltemos para o país onde a justiça é morosa e bastante condescendente.

Voltemos para o Brasil onde um jogador de futebol, sem nível de intelectualidade desenvolvido e que pouca contribuição traz à cultura do país, vale mais do que o professor, o médico e outros profissionais que se matam para sobreviver, o que é um paradoxo.

Vamos voltar para a realidade porque a Holanda, por exemplo, que nos desclassificou, nunca foi campeã mundial de futebol, e é um país com problemas geográficos e topográficos enormes se comparados ao Brasil, continua sendo um país rico de um povo extremamente educado. Vamos voltar para o trabalho porque perder para a Holanda não foi uma desonra.

Eu pergunto: perdemos a Copa do Mundo, mas e daí? Eu não vou chorar por isso porque afinal de contas o Felipe Melo e o Dunga que estão sendo crucificados, em meu entendimento errônea e cruelmente, vão voltar para suas vidas e terão que conviver com essa experiência que os marcou muito mais do que marcou a você e a mim. Mas eles estão muito bem do ponto de vista social e econômico se comparado à maioria dos brasileiros.

Por outro lado, muitos dos que se angustiaram e até choraram diante de um aparelho 14’ dentro do seu humilde casebre, tiveram que pegar o seu busum e voltar para o trampo porque afinal de contas é essa gente que movimenta esse país e é essa gente que, mesmo no anonimato, faz a grandeza do Brasil.

Vamos voltar para o trabalho cambada, sou assim para mim:

Vamos cair na real, pessoal. Vamos descer dessa aeronave chamada ilusão e pisar no chão da realidade.



quinta-feira, 1 de julho de 2010

AS DESCULPAS DA PREGUIÇA.

Preguiça é ócio, aversão ao trabalho, indolência.

É uma patologia psíquica e vez por outra ronda você e eu tentando tirar o nosso foco e nossa atenção das responsabilidades que pesam sobre nossos ombros. Sempre que somos assaltados por esse vírus, nossa mente começa a elaborar desculpas para justificá-la. Vejamos algumas das desculpas da preguiça.

ESTOU CANSADO (A). Na verdade o preguiçoso está cansado de tanto descansar. Ele não percebe isso, ou seja, que a inoperância, a inércia, inutiliza e imobiliza de tal maneira, que uma pessoa assim pode ser vítima até da depressão que vem com aqueles sentimentos, por exemplo, de auto-comiseração. Quem se cansa do trabalho, sempre estará disposto a realizar outra obra após seu merecido descanso, porque afinal de contas só merece descanso que trabalha mesmo. Pare de dizer estou cansado. Descanse e trabalhe!

É MUITO DIFÍCIL. Essa expressão é muito usada por preguiçosos. “É muito difícil é desculpa de quem nem quer tentar fazer”. O que é fácil, qualquer pessoa faz, com exceção do preguiçoso porque para esse tudo é difícil. Próverbios 13.4 diz: “O preguiçoso deseja e nada tem, mas a alma dos diligentes se farta”.

DÁ MUITO TRABALHO. A excelência tem o seu preço e certamente não é dando essa desculpa que vamos remover os naturais obstáculos que surgem à nossa frente quanto temos uma missão a cumprir, um objetivo a ser alcançado. Quem quiser andar uma milha deve começar com o primeiro passo. Leia as biografias dos grandes vultos da humanidade e você verá que nunca se furtaram às suas obrigações, pelo contrário, trabalharam com denodo e dedicação, apesar das naturais dificuldades. Provérbios 19.24 diz: “O preguiçoso mete a mão no prato e não quer ter o trabalho de a levar à boca”.

SEMPRE FOI ASSIM. Isso é desculpa de gente preguiçosa que não que mudar o curso da história. Bem se Thomas Alva Édison pensasse desse jeito, nunca teríamos a lâmpada elétrica incandecente. Se Lutero pensasse assim teria ficado no abrigo do Principe Frederico. Se Neemias pensasse assim nunca teria reconstruído os muros de Jerusalém e nem devolvido à degnidade à pátria dos seus antepassados.

AGORA É A VEZ DOS OUTROS. Quer maior desculpa esfarrapada do que essa? Em Provérbios 14.23 lemos: “Em todo trabalho há proveito, meras palavras porém, levam à penúria”. Principalmente na obra de Deus e no reino de Deus, não há aposentados. Por mais que façamos, ainda há muito por ser feito. A Parábola dos Talentos é notável quanto a esse aspecto. Precisamos considerar, também, que uma ferramenta fora de uso, enferruja. E o pior é que pessoas que agem assim acabam por se tornar ranzinzas, críticas, sempre ácidas e muito “exigentes”.

Eclesiastes 10.18 doutrina: “Pela muita preguiça desaba o teto, e pela frouxidão das mãos goteja a casa”.

O trabalho enobrece, fortifica, recria, traz progresso, prosperidade. Se há um sentimento saboroso de ser experimentado, esse é o sentimento do dever cumprido, da missão cumprida. Foram notáveias as palavras de Jesus no Gólgota, depois de uma jornada de flagelo e dor: “Esta consumado”.

Fuja da preguiça e aproveite para descansar quando estiver cansado do trabalho porque afinal de contas, somente quem trabalha faz juz ao descanso.



sexta-feira, 4 de junho de 2010

CEIA DO SENHOR



DOMINGO
Culto com Celebração da Ceia do Senhor.

TODOS OS QUE SE ASSENTAM EM TORNO DA MESA DO SENHOR SÃO IGUAIS.(E.BRAGG)





A Ceia do Senhor é um dos dois Sacramentos da Igreja Cristã Reformada. O outro Sacramento é o Batismo. "Sacramento é um sinal visível de uma graça invisível".
A boa Teologia Reformada entende que a Ceia e o Sacramento da Nova Aliança em substituição à Páscoa, assim como o Batismo é o legítimo substituto da Circuncisão.
Quando comemos o pão e bebemos o vinho, sob a perspectiva preconizada pelo apóstolo Paulo, devemos fazê-lo com o devido exame (anamnese), para que evitemos nos tornar motivo de escárneo e constrangimento para o Corpo de Cristo que é a Igreja.
O Catecismo Maior de Westminster preceitua como resposta à pergunta 171 (Como os que recebem o Sacramento da Ceia do Senhor devem preparar-se para esse ato?): "Os que recebem o sacramento devem preparar-se para esse ato, examinando-se a si mesmo, se estão em Cristo, a respeito dos seus pecados e necessidades da verdade e da medida do seu conhecimento, da fé, do arrependimento, do amor para com Deus e para com os irmãos; da caridade para com todos os homens, perdoando aos que lhes têm feito mal; dos seus desejos de ter Cristo e da sua nova obediência, renovando o exercício dessas graças pela meditação séria e pela oração fervorosa."
Auto-exame, oração, jejum, louvor, são atitudes mais do que bem vindas como preparo para participar desse momento de crucial importância para o cristão, falando individualmente, e para a Igreja se pensarmos em termos de comunidade.
Deixar de participar da Ceia do Senhor é um grave equívoco que passa pela falta de compreensão exata a respeito do que consiste esse momento na vida da Igreja, bem como é demonstração de total descaso com respeito à própria saúde espiritual.
Devemos, (é nosso dever) participar da Ceia e devemos fazê-lo com o necessário auto-exame. "Uma pessoa que duvida que esteja em Cristo ou de que esteja convenientemente preparada para participar da Ceia do Senhor pode ter um verdadeiro interesse em Cristo, embora não tenha ainda a certeza disso; mas aos olhos de Deus, o tem, se está devidamente tocada pelo receio da falta desse interesse e sem fingimento deseja ser achada em Cristo e apartar-se da iniquidade. Nesse caso, desde que as promessas são feitas e este sacramento é ordenado para o alívio até dos cristãos fracos e que estão em dúvida, deve lamentar a sua incredulidade e esforçar-se para ter as suas dúvidas dissipadas; assim fazendo, pode e deve ir à Ceia do Senhor para ficar mais fortalecida". (Catecismo Maior de Westminster, em resposta à pergunta 172).
Certa vez um ministro deixou sobre a mesa todos os elementos da Ceia do Senhor já que havia duas famílias na Igreja que tinha tido um sério problema de relacionamento. Afirmou esse ministro que o pão e o vinho ficariam ali, sem serem distribuidos à Igreja, até aprodrecerem, e que só ministraria a Ceia à Igreja quando o problema aludido fosse resolvido.
Pela sábia providência Divina, surgiu um fato que obrigou a Junta Diaconal a tirar dali aqueles elementos da Ceia. Creio que a atitude do referido e estimado colega de ministério foi radical. Entendo que a Ceia deve ser sempre ministrada com as devidas considerações que o apóstolo dos gentios prescreveu, pois a observância da mesma deve, dentre outras verdades, provoca o auto-exame e a devida contabilidade de nossa vida e atos, buscando saber se estamos, ou não, em condições de participar dela. E quem dela tomar, indignamente, irá receber de Deus a justa repreensão e disciplina.
Mais uma vez nos reunimos em torno da mesa do Senhor. Devemos fazê-lo com nossos corações cheios de ternura e gratidão. Se a Ceia também nos faz recordar da morte vicária de Cristo, ela também evoca em nossa memória a verdade de relevância incomparável da ressurreião de Cristo. Ele morreu em nosso lugar e ressuscitou para que possamos andar com nossos corãções cheios de esperança de que em sua volta, nós ressuscitaremos, também, e com Ele habitaremos na nova terra por Deus totalmente restaurada.
Creio, sinceramente, que é exatamente no momento em que participamos da Ceia do Senhor, com os corações verdadeiramente compungidos e movidos pelo legítomo amor que sentimos a doce verdade nas palavras de Jesus quando disse: "E eis que estou convosco, todos os dias até a consumação do século".

terça-feira, 1 de junho de 2010

MINHA INVICTUS 21’

A primeira televisão que tive foi uma Invictus de vinte e uma polegadas (21’). Seletor manual de canais, nem precisa dizer que era preto e branco. Aquele aparelho tinha um defeito no horinzotal que até parecia um problema “espiritual”. A tela começava a girar e quando levantávamos para fazer o ajuste, o problema parava.

Rin-tin-tin, Bonanza, Combate, O Patrulheiro Rodoviário, O Fino da Bossa apresentado por Jair Rodrigues e a super competente Elis Regina, A Família Trapo com Ronald Golias, o programa de entrevista da Hebe Camargo, Astros do Disco apresentado pelo excelente Randal Juliano, O Reporter Esso, noticiário famosíssimo, Almoço Com as Estrelas....e por aí vai...

Era isso que nos era oferecido e eu assistia naquela televisão com o horizontal espiritualizado. Assistir a Copa do Mundo de 70 nela foi um tormento, mas arrumei um jeito de ficar bem pertinho dela de tal maneira que quando a tela ia girar eu já enfiava a mão por trás e ajustava o botão. Ah! Que felicidade ver os canarinhos, mesmo em preto e branco, fazendo a festa no Estádio Guadalajara.

Fiquei imensamente feliz quando trocamos de televisão, mas de lá prá cá tenho, a cada dia que passa, me entristecido não com a qualidade dos aparelhos (eles melhoraram muito), mas sim com a mediocridade das programações que são oferecidas a altos custos. É triste ver, por exemplo, os maus produzidos programas evangélicos. Na verdade há alguns programas que de evangélicos não têm absolutamente nada. São de um sincretismo medíocre que faria Sócrates aceitar a pena de morte com prazer, novamente. Você muda de canal e lá vem aquela enxurrada de teorias e interpretações totalmente equivocadas sobre a fé cristã. São os impérios dirigidos por gente sem nenhum pudor e respeito por Deus e por sua Palavra. São verdadeiros vendedores de "indulgências" oferecendo um Cristo e outro evangelho, totalmente desassociados da Bíblia. Eles enriquecem porque descobriram o que Roberto Marinho já havia sabia há muitas décadas, ou seja, o poder da telinha. Questiono como Habacuque: “Até quando Senhor?”.

Muito bem, agora temos mais uma edição do tal Big Brother Brasil e da Fazenda. É mesmo uma declaração inequívoca da falta de pudor e de respeito com os princípios mais elementares que devem regular a família, e conseqüentemente a sociedade como um todo. Chamar essa coisa de reality show é um despropósito. E a maioria dos brasileiros lá sabe o que reality? Bem de real não tem absolutamente nada. Seria a realidade o que acontece ali na Fazenda e na casa do tal BBB? É triste ver crentes que correm para casa no domingo após o culto para se contaminar com insinuações homossexuais, com tramas e dramas que revelam o que já sabemos de sobejo, ou seja, que somos natureza caída e naturalmente afeitos à infidelidade, traição, mentira e todo desígnio indigno.

Não assisto a nenhum desses programas. Não o faço por duas razões básicas e elementares. Primeiro porque elas têm a tendência (como é proposição da mídia) de moldar nosso caráter e determinar nosso modo de vida. Assim é que acabamos, por exemplo, achando o sexo fora do casamento algo “muito natural”. Segundo porque não vou dar meu ibope a esse lixo que faz de pedros biaus da vida, gente com visibilidade e fortuna à custa de médicos, advogados, professores, garis, etc...que lutam para sobreviver em meio ao caos cultural, social, intelectual, econômico e espiritual dessa nação de Lula, Dilma, Sarney (a lista é enorme).

Exorto você que se deixa contaminar com essas coisas a que aceite as palavras de Paulo a Timóteo: “Foge das paixões da mocidade..”.(2 Tm. 2.22), ou mesmo o que escreveu Pedro, “Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais que fazem guerra contra a alma”. (!Pedro 2.11). Lembre-se do que disse Jesus...."os olhos são a lâmpada do corpo" (Mateus 6.22a).

Que saudades da minha Invictus 21 polegadas.....ainda com o defeito que ela tinha. A programação era um pouco melhor!

CULTO NA IGREJA PRESBITERIANA DO PARQUE DAS NAÇÕES

Nesta segunda-feira, 31.05.2010, tive o privilégio de participar do Culto de Ação de Graças pela passagem do 65º Aniversário da Sociedade Auxiliadora Feminina daquela Igreja.

O Pregador convidado foi o super competente, Hernandez Dias Lopes. Realmente foi uma mensagem abençoada.

Convidado pela irmã Cleide Gossi, Presidente da referida SAF, cantei três cânticos. Foi realmente maravilhoso poder estar ali.

Registro aqui meus agradecimentos. 

sábado, 29 de maio de 2010

O ATEÍSMO CRISTÃO

Há ateus explícitos, ou seja, aqueles que declaram não crer em Deus e pronto. H.G. Wells e George Bernard Shaw são dois exemplos clássicos. No final de suas vidas revelaram total desespero por terem colocado sua confiança em sistemas sem sustentação e vazios de sentido. Há muitos tipos de ateus. Há os que são discretos, mas há blasfemos e irônicos. Todavia, ao olhar para o mundo evangélico dos nosso dias descobri um tipo de ateu, dentro do cristianismo, que é mais letal.

Estava eu um dia no escritório da Igreja quando fui interpelado por um senhor que se dizia bastante experiente como cristão. Tinha voz mansa, atitude de aparente sobriedade, citava as escrituras, contava “experiências” com Deus, criticava os sistemas tradicionais quase dando a entender que as Igrejas históricas não têm poder para testemunhar de Cristo e do seu Santo Evangelho. A conversa demorou mais do que eu gostaria e me senti mesmo enojado com tanta falta de amor e tanta ignorância com respeito às Escrituras. Ao retornar para casa fiquei digerindo aquela conversa e concluí que, apesar do referido senhor ter citado por diversas vezes as Escrituras e ter falado sobre Deus e Cristo, ele não passava de um tipo de ateu. O ateu cristão.

Os ateus cristão são aqueles que com a boca confessam crer em Deus, mas vivem alienados dEle. Esse tipo de ateu se caracteriza de uma forma muito peculiar. Paulo, referindo-se a ele, diz ao Pastor Timóteo: “..tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto o poder (o poder de Deus)”. II Tm. 3.5
Esses ateus cristãos dizem crer em Deus, mas negam isso na prática, pois demonstram não temê-Lo. Vivem na dependência de seus próprios recursos, tramam contra o irmão em Cristo assim como Caim fez com seu irmão Abel, mesmo depois do culto que pretendeu oferecer a Deus. Deus o rejeitou não tanto pela oferta, mas porque seu coração era cheio de perversidade e de projetos iníquos.

O pior ateu não é aquele explicito, mas aquele travestido de cristão. Ele diz crer em Deus, mas precisa ver para crer. A Bíblia, o livro dos cristãos, ensina de forma clara e inequívoca que é o contrário, ou seja, é preciso crer para ver.

O ateu cristão é aquele que vive com um pé no mundo e outro na Igreja, ou vive de Igreja em Igreja tentando achar aquela que, no entendimento dele, é a certa. O que ele não percebe é que sua falta de fé genuína nunca permitirá que ele encontre qualquer lugar onde possa se acomodar porque haverá sempre críticas e dúvidas sobre as pessoas e as instituições.

O ateu cristão vive buscando satisfazer a si mesmo e aos seus anseios e paixões, muitas vezes, camuflados em uma conversinha aparentemente humilde e com “base” bíblica.

O ateu cristão é totalmente infrutífero. Ele fala em evangelismo, mas é o primeiro a não evangelizar. Ele fala em frutificar, mas é totalmente estéril. Ele critica o professor da Escola Bíblica Dominical e o Pregador, mas jamais aceitaria a incumbência de ensinar ou pregar. Ele critica idéias novas, evocando os ensinos do passado, mas não vive por estes e nem está aberto às novidades que nem sempre implicam em pecado. Ele fala que há pessoas que bebem vinho, mas está tão embriagado com seu ego, de tal maneira, que sua língua destrói mais do que o irmão que, na opinião dele, bebe além da conta. O ateu cristão corre para as Escrituras quando se trata de julgar os outros, mas quando se trata de julgar a si mesmo, diz que Jesus ensinou a não julgar.

Cuidado com o ateu cristão. Ele é como o cupim que vive na clandestinidade e deixa um rastro de destruição atrás de si. Ele é como o fariseu que se apresenta como doutor da lei, mas na verdade, doutor da lei que serve para os outros e nunca para ele mesmo, principalmente quando se trata da lei do amor. Cuidado, muito cuidado com o ateu cristão, é melhor ficar longe de gente desse tipo. O pior ateu não é o que diz não crer, mas aquele que diz crer em Deus e vive como um deus para si mesmo.

A BÍBLIA E O PÚLPITO

Queridos irmãos Pastores:

C. H. Spurgeon, um dos mais consagrados Pastores da história do Cristianismo, e tido como exímio pregador de sua época (Século XIX), afirmou que o púlpito servia bem para ocultar os joelhos trêmulos do pregador.

O Púlpito é aquele móvel utilizado pelo pregador sobre o qual ele apóia a Bíblia e o esboço do sermão que se propõe pregar. Em alguns templos ele é colocado no lado esquerdo e, em outros ele ocupa o lugar central em frente à audiência.

O Púlpito exerce certo fascínio sobre algumas pessoas. Recordo-me dos meus tempos de criança quando minha tia Duzolina Dalceno Spilla, zeladora da Igreja Evangélica Congregacional do Belém, na Rua Cesário Alvim, me levava quando ia para fazer a faxina. Em um dado momento eu subia ao Púlpito, abria a enorme Bíblia e começava a “pregar”. Lembro-me também do Púlpito da Igreja Evangélica Congregacional do Parque Cruzeiro do Sul quando era usado pelo competente Pastor Jair Álvares Pintor, ou quando ele trazia pregadores excelentes como John Grant, por exemplo.

Como Pregador do Evangelho já vi Púlpitos de vários modelos e materiais. Quando preguei na Igreja Presbiteriana Central de Itapeva, o Púlpito era um pedaço de um tronco de árvore. Já preguei em Púlpito de acrílico, todo luminoso. Em uma Igreja havia um Púlpito todo de pedra. Há Igrejas em que o Púlpito é quase um lugar intocável. Poucas pessoas podem chegar perto dele. E é bom que saibamos respeitar mesmo esse instrumento sem exageros, todavia.

Mas, o Púlpito é só um móvel, pura e simplesmente, e tenho a mais absoluta certeza que Pedro, ao proferir os primeiros sermões nas suas experiências em Atos dos Apóstolos, não fez uso deles. O Pregador não precisa do Púlpito para pregar sermões bíblicos. O que o pregador precisa para pregar sermões bíblicos é de uma boa hermenêutica e boa homilética associados à uma vida santificada, constituindo-se assim em um canal de bênçãos quando prega.

Devemos entender que mais útil do que o móvel que chamamos Púlpito, dever ser a vida do pregador, de tal maneira, que com ou sem ele, o pregador seja o meio pelo qual Deus comunica as verdades bíblicas que irão transformar pessoas.

Púlpito não é trincheira de onde disparamos nossos dardos contra os ouvintes, mas sim lugar para admoestações e exortações que oferecem cura. Há pregadores que fazem do Púlpito um pelourinho onde a ovelha é flagelada por seus sermões de juízo. Muitos dos que agem assim citam o famoso sermão do Puritano Congregacional Jonathans Edwards—Pecadores nas mãos de um Deus Irado— para justificar a constantes chicotadas como se esse tivesse sido o único Sermão pregado por ele. Mas se formos analisar a vida desse Puritano veremos que não era um chicoteador contumaz, mas um homem que sabia fazer uso da palavra para abençoar seus ouvintes com a Palavra. Esse Sermão citado foi como que uma ilha em meio a um oceano de exortações amorosas e cheias de misericórdia, com certeza.

Há pregadores que usam o púlpito para expor suas considerações pessoais sobre a vida, ou também aqueles que o usam apenas como tribuna de lustro intelectual desfilando seus conhecimentos de teologia totalmente desassociado da tão necessária intimidade com Deus. O Pregador da Palavra de Deus não pode se esquecer, jamais, que ele prega baseado na Palavra de Deus. Usando as boas ferramentas da hermenêutica, o Pregador Sacro vai às Escrituras e tira delas os ensinamentos que julga serem pertinentes às ovelhas colocadas sob seus cuidados. O caminho inverso pode gerar, (e isso tem acontecido ao longo da história do Cristianismo), equívocos, e porque não dizer, até heresias. O pregador não pode nunca se esquecer de que as pessoas podem duvidar de suas palavras, mas com certeza irão crer quando verem o sermão sendo vivido por ele.

O Púlpito não é lugar onde o pregador mostra que tem “razão”, mas sim lugar onde o caminho da reconciliação com Deus é apontado por alguém que o tem trilhado. O Púlpito é lugar de compaixão e de misericórdia mesmo quando a palavra for de exortação porque, quem prega deve estar incluído na mensagem.

...quando o ancoradouro se torna amargo, o navegante pode querer acomodar-se em outro porto....




O Púlpito não é lugar para recados escondidos em palavras de duplo sentido, ou mesmo um lugar para defesa pessoal de nossa particular cosmovisão.

Não importa de que tipo é o Púlpito, nem onde ele é colocado. Para pregarmos o evangelho, doutrinarmos o povo de Deus e alimentá-lo com a Palavra é preciso que sejamos suficientemente humildes para nos lembrarmos que antes de dizermos aos outros sobre o caminho que devem seguir nós já o experimentamos e sabemos onde ele nos leva.

...o Evangelho são as boas-novas..
Sua apresentação deve lhe fazer jus...

Para isso o único instrumento indispensável é a Bíblia, Palavra de Deus, que nos ensina que o caminho da misericórdia é sermos misericordiosos.

Meus joelhos ainda tremem escondidos por detrás do Púlpito, não pelo julgamento que os homens farão de minha Prédica, mas pelo julgamento daquele a quem representamos no momento da profecia e sobre quem fazemos asseverações que demonstrem nossa intimidade com Ele e com a Palavra que nos deixou para, com ela, mostrar como devemos viver de tal maneira que tenha prazer em nossa companhia.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O PASTOR E A DEVOCIONAL

Queridos irmãos Pastores:

Joel R. Beeke, afirma que em seu livro “The Autobiography of na Eminete Lancashire Preacher” John Kershaw disse: “Deus salva a todos os tipos de pessoas, inclusive o ministro”. Ele justifica essa assertiva ao dizer:


“...embora o ministério seja uma grande vocação para remover o Pastor das atrações de um mundo pecaminoso e amaldiçoado, um dos maiores perigos enfrentados pelo ministro é que ele lida com o sagrado com tanta freqüência que acaba por banalizá-lo”. (Citado na obra “O Ministério Pastoral Segundo a Bíblia, Organizado por John Armstrong—Editora Cultura Cristã, São Paulo—SP, pg 59)

As cartas de Paulo a Timóteo são endereçadas a um Pastor. Timóteo era seu filho na fé e Paulo, mesmo já próximo do martírio, escreve a ele no afã de estimulá-lo e orientá-lo sobre alguns aspectos da poimênica. Nessas duas cartas encontramos princípios para o cuidado pastoral das Igrejas e as qualificações necessárias aos Ministros. Em um dado momento da carta Paulo escreve: “...”Exercita-te, pessoalmente, na piedade”. (I Tm 4.8b)

Para Pastorear crentes é preciso que aquele que se propõe e se diz chamado (vocacionado) para essa tarefa seja crente, exemplo de vida piedosa. Não queremos dizer com isso que o Pastor é perfeito. Somente Jesus, o sumo pastor é aquele que foi Pastor perfeito. Quando afirmamos que o Pastor deve ser exemplo de vida cristã nos referimos ao fato de que ele, mais do que qualquer pessoa da comunidade, é alguém que se esmera em estar em comunhão íntima com Deus Criador, Salvador e Senhor. É exatamente essa relação de intimidade que vai gerar vibração, brilho, ânimo, força e encorajamento ao ministro para poder enfrentar os obstáculos sempre constantes na lida ministerial. Essa intimidade com Deus deve passar por uma agenda que inclua:

Das atividades que compõem a agenda de um Pastor, a exposição da Palavra de Deus é aquela para a qual o Pastor deve dar a máxima importância. Em seu livro “Nove Marcas de Uma Igreja Saudável”, Mark Dever defende a tese de que Deus cria tudo através da sua Palavra. Transcrevo aqui esse notável parágrafo da obra citada:

“Podemos tentar criar um povo em torno de um programa de coral totalmente harmonioso, ou centrado em um determinado grupo social, ou mesmo em torno de um projeto de construção, ou ainda da afirmação de uma identidade denominacional, ou mesmo centralizado em uma série de grupos de assistência social, ou ainda criar um povo ao redor de um projeto comunitário, etc...etc... Deus pode usar todas essas coisas, mas em última análise, o povo de Deus, a Igreja de Deus, pode ser criado, tão somente em torno da Palavra de Deus”.

Ler a Bíblia apenas para preparar sermões, palestras e estudos bíblicos pode nos levar pelo campo da banalização e da profissionalização do ministério. É óbvio que devemos ler e devemos buscar todo o preparo para que nossas prédicas sejam corretas do ponto de vista hermenêutico e compreensível do ponto de vista homilético. Mas o Ministro do Evangelho deve desenvolver um relacionamento de intimidade com a Palavra de Deus de tal maneira que sua exposição seja alicerçada na contrição pessoal, e assim não haverá nenhum traço de juízo sobre sua audiência, pelo contrário ele será humilde na exposição da Escritura porque foi o primeiro a ser quebrantado por ela. E devemos confessar com notória sinceridade: humildade é o tempero que dá sabor à prédica.

Mas há outra atividade indispensável e de valor incalculável a todo cristão e principalmente ao Ministro.

Todos grandes homens de Deus mostraram essa marca distintiva em suas vidas: a oração. Nisso conto minha experiência particular e sobrenatural: os meus melhores momentos em minha carreira como Ministro, foram os momentos em que ousei gastar mais tempo a sós com Deus em oração. É lamentável perceber que muitas vezes a correria que caracteriza a vida de um Ministro pode ser um empecilho para que ele exerça o indispensável habito da oração.

Jesus em seu ministério terreno demonstrou, em todos os momentos, o quão salutar e importante é a oração, a comunhão com Deus. Quando oramos demonstramos o quão dependente somos de Deus e damos um golpe certeiro no orgulho, esse inimigo oculto nos labirintos da alma humana. Quando oramos, e quanto mais oramos, mais claro fica o quanto precisamos orar. Martinho Lutero disse: “Quando você não sente o desejo de orar, aí é que você deve orar”.

Eu sei que os mais críticos vão objetar e dizer que sou simplista demais, mas eu uso a réplica para dizer que não há nada mais simples que o cristianismo puro e verdadeiro. A alma humana é tão complexa que ela se recusa em aceitar aquilo que é simples. Portanto, afirmar que a piedade individual de um cristão e de um Ministro Cristão exige maior contato com as Escrituras e mais tempo de oração pode soar simples, mas é essa simplicidade que vemos em Cristo e em todos que O imitaram e imitam hoje.

Quando Paulo escreveu ao seu filho na fé, Timóteo, ele o exortou nesses termos. (I Tm 2.1-8; 4.11-16, II Tm 2.15; I3.14-17). Oração, intercessão, ensino, doutrina, Escrituras, leitura, meditação, são palavras chaves quando se trata do exercício do Pastorado com verdadeira piedade.

A leitura da Bíblia sem a oração pode nos fazer intelectuais teologicamente falando, mas quando unimos as duas práticas laboramos em prol de uma vida piedosa. Oração sem meditação nas Escrituras, pode nos fazer rasos e superficiais, frágeis demais e sem consistência.

O ministro precisa zelar por sua vida devocional para que esteja sempre pronto e habilitado a cumprir a tarefa para a qual Deus o tem vocacionado e que exige uma vida exemplar na prática da verdadeira piedade.

Rev. Mauro Sergio